A incontinência funcional ou reflexa, na óptica de Matias (2006), é um tipo de incontinência na qual o idoso não possui qualquer impulso em urinar, no entanto a bexiga esvazia-se por não receber qualquer estímulo do controle do cérebro. Poderá, similarmente, segundo Santos (2006), derivar de um atraso de chegar atempadamente ao quarto de banho, como resultado de problemas relacionados com a mobilidade, assim como com a má localização e inadequação sanitária.

 

             Causas

Na compreensão de Cruz e Lopes (1999), as causas da incontinência urinária no idoso devem-se sobretudo a alterações anatómicas e/ou funcionais derivadas do envelhecimento. Modificações estas que não são a causa principal, mas que em simultâneo com diversas patologias (infecção urinária, o prostatismo, a alteração do pavimento pélvico, a imobilidade, a deterioração, entre outros) poderão contribuir para o aparecimento da incontinência.

As causas são geralmente multifactoriais, pois são consequência de diversos processos. De entre as mais comuns destacam-se as lesões: do sistema urinário, entre elas as cistites, a tuberculose renal ou vesical, os apertos uretais, a hipertrofia prostática, entre outros; e do sistema nervoso, como o AVC, as lesões da cauda de cavalo, as sessões traumáticas da médula, a epilepsia, a mielomeningocelo e a Doença de Alzheimer. Existem, ainda outras causas do foro funcional, ginecológico, psicológico, farmacológico e ambiental.

Já Iraizoz et al. (1989, referido por Cruz e Lopes, 1999) defendem a existência de três níveis factores que possibilitam o aparecimento da incontinência, respectivamente: a hiperactividade dos mecanismos neuromusculares, a diminuição da inibição cortical (AVC, doenças degenerativas e fármacos), os factores psicológicos e os sociais.

No que concerne à hiperactividade dos mecanismos neuromusculares, esta está intimamente ligada com o aumento de excitabilidade do reflexo vesical, com as lesões irritativas locais da bexiga ou da uretra e com as disfunções do pavimento pélvico e dos esfíncteres.

Os factores psicológicos podem dever-se a situações de stress psicológico ou físico, a depressões e a falta de atenção. Quanto aos factores sociais, nestes incluem-se as dificuldades de acesso aos sanitários, a estrutura física do domicílio, os problemas sócio-familiares, a solidão e o isolamento.

Noutra perspectiva, Reis (1994, citado por Cruz e Lopes, 1999) indica que a incontinência urinária está associada a diferentes situações, tal como: ao aumento indevido da pressão intra-vesical, enquanto se processa a fase de enchimento do processo de micção; à falência do esfíncter interno e/ou externo; ao relaxamento impróprio dos esfíncteres ou lesão orgânica dos mesmos; e/ou qualquer combinação dos mecanismo mencionados precedentemente.

 

Como posso prevenir a incontinência urinária?

Nem todos os tipos de incontinência urinária podem ser evitados. Todavia, existem formas de manter a bexiga saudável e de ajudar a minimizar as hipóteses de vir a ter problemas relacionados com a bexiga. Eis algumas sugestões:

· Beber 6 a 8 copos de líquidos por dia (essencialmente quando se fizer exercício ou quando estiver calor).

· Evitar, tanto quanto possível, bebidas e alimentos com cafeína.

· Durante o dia, tentar urinar de 2 em 2 horas, ou de 3 em 3. Levantar-se uma vez por noite para urinar é normal, mas mais de duas vezes já não é.

· Quando for à casa de banho não faça força ao esvaziar a bexiga.

· As mulheres que sofrem de prolapso da bexiga ("bexiga descaída") devem esperar 3 a 5 segundos depois da primeira paragem da micção e, em seguida, tentar esvaziá-la ainda mais - para isso simular a acção de soprar por uma palhinha.

· Manter os intestinos a funcionar regularmente. Andar, fazer exercício e tomar uma bebida quente logo pela manhã pode ajudar aos movimentos intestinais.

· Manter o peso ideal e tentar perder peso se necessário.

Deixar de fumar, pois o fumo pode aumentar o risco de cancro da bexiga e a tosse de fumador crónico pode exercer excesso de pressão sobre a bexiga.

Elaborado por:

Goreti Nóbrega; Lúcia Pereira; Raquel Pereira; Roberto Teixeira